Greve de Professores e Confusão na Lunda-Norte
Por Maka Angola - 09 de Julho, 2013

Mais de 156,000 estudantes continuam sem aulas, na província da Lunda-Norte, devido à greve dos professores do ensino primário e do 1º Ciclo, iniciada a 27 de Maio passado.

A 6 de Julho, o director provincial de Educação, Bartolomeu Dias Sapalo, reuniu com mais de 300 professores com vista a encontrar uma solução para a greve.

Os cerca de 5,000 professores em greve, na Lunda-Norte, exigem o pagamento dos subsídios de férias, em atraso desde 2011, e que equivalem a um salário mensal para cada professor. Do caderno reivindicativo dos professores constam também a demanda de pagamento de subsídios de coordenação de turnos e disciplinas, em atraso desde 2010, e o processamento dos descontos da quota sindical, destinada ao SINPROF local.

A 21 de Novembro passado, o governo provincial havia estabelecido um acordo com o SINPROF para a resolução do caderno reivindicativo apresentado pelos docentes.

No entanto, durante a reunião de Sábado passado, a discussão foi unilateral. “Nós, os representantes do SINPROF, não tivemos direito ao uso da palavra durante toda a reunião. Como podemos chamar a isso uma reunião?” lamentou, ao Maka Angola, o representante provincial do sindicato, Kazanga Rodrigues.

Bartolomeu Dias Sapalo desqualificou a denúncia do sindicato. “O patronato convocou a reunião, como pagador, para inverter o quadro. Convocámos os professores e não o SINPROF, para prestar esclarecimentos directos aos professores”, disse.

O delegado provincial referiu que “o SINPROF deturpa a mensagem, não informa [os professores] com verdade, com coerência”.

Bartolomeu Dias Sapalo esclareceu não haver greve na Lunda-Norte, mas sim uma paralisação ilegal. Garantiu que o governo provincial resolveu “a totalidade das questões [apresentadas pelos professores]”.

“Provámos por A+B que pagámos todos os subsídios de férias. Perguntem a Alfonsina Buiamba, secretária do SINPROF. Ela recebeu 480 mil kwanzas, incluindo o subsídio de férias de 2011”, disse. O director esclareceu também que os subsídios de coordenação não abrangem o ensino primário e reiterou a inexistência de pendentes para tratar com os professores.

“Hoje [9 de Julho] as aulas arrancaram”, regozijou-se Bartolomeu Dias Sapalo.

Kazanga Rodrigues e vários professores contactados manifestaram-se surpresos com o anúncio do reinício das aulas. “A greve continua”, afirmaram.

O sindicalista referiu que o director provincial de Educação proferiu duras ameaças de despedimento aos sindicalistas e professores que insistam em continuar com a greve. Segundo Kazanga Rodrigues, Bartolomeu Dias Sapalo confirmou a iniciativa do governador provincial, Ernesto Muangala, em marcha, para acabar com a greve. “O governador ordenou a elaboração de uma lista arbitrária para a demissão dos sindicalistas e centenas de professores, para criar divisões e destruir o sindicato. Os mandatários do governador fazem tudo brutalmente”, denunciou o líder sindical.

Kazanga Rodrigues afirmou que o governo provincial se recusa a pagar os subsídios em falta e a honrar os compromissos assumidos com o SINPROF provincial.

O governador Ernesto Muangala realizou, ontem, uma visita a 17 escolas do município sede do Chitato. Nos encontros breves que manteve com os professores, convocados para o efeito, o governador reafirmou a sua posição segundo a qual os grevistas perderão o emprego. Em sua defesa, Muangala afirmou, segundo alguns professores presentes nos encontros, que, em Angola e no governo do MPLA, os dirigentes não têm de prestar contas ou responder em tribunal, quando têm o apoio do regime.

Bartolomeu Dias Sapalo desmentiu os professores. “O Sr. Governador não disse isso. Eu estive ao lado dele. O Sr. Governador disse que o SINPROF está a ser mal dirigido por um indivíduo sem respeito pela autoridade do estado, por um mentiroso”.

Por outro lado, o director provincial esclareceu que a 22 de Junho passado, o governador recebeu, em audiência, os representantes do SINPROF. “Solicitaram um encontro para pedirem desculpas pelas injúrias, calúnia e difamação que dirigiram contra o governador”, disse.

Kazanga Rodrigues confirmou o encontro e o facto de ter sido o porta-voz do sindicato. “Pedimos desculpas verbais. Acusámos o governador de ter tido conhecimento de que havia membros do governo provincial a ganhar várias vezes como professores. Ele disse que não sabia e nos desculpámos. Foi só isso, e estamos a ser processados na justiça”, disse o líder sindical. Na sequência, o governo provincial solicitou também um pedido formal de desculpas. “O chefe ainda não recebeu o pedido de desculpas por escrito”.

Segundo o responsável provincial de educação, não há qualquer processo de despedimento de professores. Confirmou a aplicação diária de faltas aos professores que não se apresentem para trabalhar e os consequentes descontos e sanções. “Nós não despedimos. Tratam-se de procedimentos administrativos de auto de abandono, porque os professores passaram 40 dias sem trabalhar. Quem não trabalha não ganha”, enfatizou.

Bartolomeu Dias Sapalo foi mais longe e afirmou que os professores, presumivelmente, foram coagidos a entrar em greve por razões de ordem política. “O SINPROF ameaçou queimar as casas dos professores que furassem a greve”, acusou. “Por medo, muitos preferiram não dar aulas”, mais disse.

Kazanga Rodrigues desafiou a delegação provincial a provar estas acusações. “É tudo mentira, o delegado provincial não tem como provar”, afirmou.

O delegado provincial garantiu que, no início na próxima semana, o retorno às aulas será total e a normalidade será restaurada. “Esses indivíduos [sindicalistas] não têm programa de cidadania e de patriotismo”, sublinhou.

Para o delegado provincial, há apenas um problema importante a sanar. “Esse SINPROF provincial não é reconhecido pelo SINPROF nacional. Esses professores [sindicalistas das Lundas] são conhecidos como indisciplinados e ilegítimos pela direcção central do Sindicato Nacional de Professores”, revelou.

“Como cidadãos, não podemos reclamar os nossos direitos? Temos de denunciar esse comportamento maléfico do governador Muangala”, respondeu Kazanga André.

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5 Responses to “Greve de Professores e Confusão na Lunda-Norte”

  1. Enrique real says:

    Culpado éo gatuno zé du

  2. Muangala lomo lia noko estas a escravisar os indisnas no caungula professor anda ape km e km nao pode falar porgue voce e muatyava?se voce es zairese vamos te apanhar nas esguinas ok?

  3. Lucia Ary says:

    O muangala é um turista/mentiroso: ao enves de resolver o problema dos Professores, a titulo de exemplo do Governador da Huila. o muangala a cusa Partidos Politicos.
    Quando é que vai libertar os Membros do Protectorado presos sem causa?

    • Muadiakimi says:

      Muangala,dv respeitar os professores e n intimida-los porque eles estão a reclamar o q é direito deles como trabalhadores

  4. Gilberto Ivan Gilberto says:

    Eu apoio a grave dos professores na lunda norte.

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