22 Mil Crianças Podem Morrer à Fome
Por Lázaro Pinduca:
Uma avaliação realizada pelo Departamento Nacional de Nutrição, do Ministério da Saúde, com o apoio das Nações Unidas, indica que cerca de 533 mil crianças, com menos de cinco anos, nas dez províncias angolanas mais afectadas pela seca estão em situação de má-nutrição aguda. A informação está contida no relatório publicado pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), em Maio passado.
Maka Angola retoma o relatório, passados mais de três meses, devido ao agravamento da fome em algumas regiões do país, em particular na província da Huíla onde o nosso correspondente local tem visitado as áreas afectadas. Outrossim, terminado o período eleitoral, em que o governo transmitiu a imagem de um povo feliz e a oposição ignorou a fome que assola o país, urge abordar essa realidade.
A avaliação oficial calcula em 20 porcento o número de crianças em situação de má-nutrição severa (105,000 a 110,000 crianças), e uma possível taxa de mortalidade de 20 porcento dentre estas. Ou seja, 21,000 a 22,000 crianças angolanas podem morrer à fome este ano.
O Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas (MINADERP) estima que cerca de um milhão e 834 mil habitantes estejam afectados pela estiagem este ano. O número corresponde a a cerca de 10 porcento do total da população angolana e indica, como as áreas mais afectadas, as províncias do Bengo, Kwanza-Sul, Benguela, Huíla, Namibe, Cunene, Moxico, Bié, Huambo e Zaire.
Em Abril passado, o Conselho de Ministros aprovou o plano de resposta à seca do MINADERP, avaliado em US $43 milhões, destinados à assistência alimentar de emergência e à distribuição de sementes e utensílios agrícolas para a preparação lavoura em tempo oportuno.
A fome tem assolado com particular inclemência, nos últimos tempos, as populações do município dos Gambos, com mais de 150,000 habitantes, na província da Huíla.
O ancião Tomás Firmino revelou a morte, à fome, de três crianças, de Maio a Agosto, na povoção de Kayla, no município do Gambos.
Segundo o Padre Jacinto Pio Wakussanga, “As reservas alimentares esgotaram-se, sobretudo das populações que habitam a fronteira com a província do Namibe, numa área semi-desértica”. O sacerdote referia-se especificamente às comunidades a sul do município, na comuna da Chibemba, onde habitam maioritariamente Muhacavonas e Mucubais, como as mais afectadas pela estiagem nos Gambos.
O Padre Pio enumerou, para além da estiagem, a explosão demográfica nos Gambos, a distribuição iníqua de terras e recursos naturais, bem como a intensa exploração de rochas ornamentais como factores agravantes da fome.
“Alguns fazendeiros controlam grande parte das terras, que pouco as usam para a agricultura e mais para a pecuária. Mas, os fazendeiros controlam apenas quatro porcento do gado, enquanto os populares controlam 96 porcento da reserva ganadeira no município”, disse o presbítero.
O Padre Pio explicou que “os fazendeiros usam grande parte das terras para deixar crescer capim e com este produzir feno de reserva, para a alimentação do gado”. Enquanto isso, ainda de acordo com o religioso, os populares têm de usar pouca terra, tanto para a agricultura de subsistência como para o pasto. Sobre a exploração do granito, como actividade alternativa à agro-pecuária, o sacerdote afirmou que a mesma ”não produz quaisquer benefícios para as comunidades locais”.
Por sua vez, o secretário da Associação de Criadores de Gado da Comunidade Ovatunga, Fernando Tyhetekey, já registou a morte de cerca de cinquenta cabeças de gado nos últimos meses, por falta de pasto.
As autoridades provinciais, segundo a chefe de departamento para a assistência da direcção provincial da Assistência e Reinserção Social, Francelina Tomás, estão a realizar levantamentos sobre a situação de fome com vista a assistir os populares.
O Município dos Gambos situa-se a 127 quilómetros a Sul da cidade do Lubango, a capital da província da Huíla, e faz fronteira com as províncias do Cunene e do Namibe. No entanto, não há informação pública sobre a disponibilização das verbas e dos programas implementados para minimizar os efeitos negativos da estiagem.
O sofrimento das populações mais desfavorecidas e a alta taxa de mortalidade infantil, por má-nutrição, contrasta com o facto de Angola registar um dos maiores crescimentos económicos no mundo. Só para a campanha eleitoral, o MPLA, o partido no poder, terá gasto perto de US $70 milhões, um valor de longe superior ao fundo aprovado para combater os efeitos da seca em todo o país, e cujo desembolso não é certificado.
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é muito triste o que acontece neste País. isso me revolta
Este país só deverá mudar com a queda do regime.
Tudo isto me deixa triste, muito triste mesmo…
votaste no MPLA aguenta
Até quando meu Deus? Até quando??
Esta situação é o claro reflexo da falta de politicas sociais viradas para as pessoas… com tanto rio é inaceitavel que pessoas corram risco de morte por falta de alimentos. Esta conversa de que faltou chuva deveria dar exoneração ao titular da pasta.
Estou muito preocupado com a pobreza, a fome e as condições desumanas que os Angolanos vivem, sabendo que o país é rico em recursos natuarais e mais rico em número de pessoas mais pobres do Mundo. Deus vela por nós todos os Angolanos que sofrem e sentem o sofrimento na pele e na veia.