Em matéria recente, Maka Angola expôs um negócio realizado pelo presidente do Tribunal Constitucional, Rui Ferreira, na compra do imóvel Dom Quixote, em Luanda, que alberga o clube noturno com o mesmo nome.
O constitucionalista e empresário das noites luandenses exige um pagamento cerca de cinco milhões de dólares do sócio a quem supostamente defraudou. Parte do valor, US $2.2 milhões, reportam-se a juros moratórios cobrados a 75 porcento ao ano, sobre o valor de compra do imóvel, avaliado em US $550 mil. Por obras de beneficiação, o réu Rui Ferreira pede uma indemnização de dois milhões de dólares, e mais o valor pago pelo edifício, que equivale a uma residência mediana de três quartos.
Rui Ferreira e o seu sócio António Lisboa Santos, na qualidade de sócio-gerente da sociedade comercial Organizações Lisboa Santos (OLS) assinaram, a 19 de Fevereiro de 2007, uma declaração irrevogável em como o primeiro adquiriria, com fundos próprios, o edifício à Sociedade Comercial Mota & Irmão.
Como parte do acordo, a OLS amortizaria a dívida ao comprador Rui Ferreira no prazo de quatro anos, com o pagamento de prestações mensais, findo os quais Rui Ferreira transmitiria a propriedade do imóvel para a referida sociedade.
Após várias tentativas ignoradas de contacto com Rui Ferreira, para discussão sobre a transferência da titularidade do imóvel, nos termos acordados, o sócio António Lisboa Santos apresentou queixa ao Tribunal Provincial de Luanda, onde o juíz-presidente do Tribunal Constitucional passou à condição de réu.
Por sua vez, Rui Ferreira acusa a gerência da OLS de o ter enganado por altura da celebração do acordo de parceria entre ambos, na qual dividiam as quotas do Dom Quixote e os lucros a meias. No entanto, no contrato firmado a 29 de Agosto de 2002, António Lisboa Santos assume-se como “administrador legítimo e detentor do Clube Dom Quixote”, sem evocação da legítima propriedade do edifício.
Rui Ferreira acusa ainda o seu sócio, de não ter pago rendas ao senhorio durante vários anos e de ele próprio ter procedido, em 2006, ao pagamento das dívidas, no valor de US $112,000, para evitar uma acção de despejo.
No entanto, o presidente do Tribunal Constitucional, face à queixa que pende contra si, reconheceu que, sob condição dos pagamentos por si exigidos, a OLS eventualmente tem o direito de propriedade do imóvel Dom Quixote.
O sócio-gerente da OLS, António Lisboa Santos Júnior, obteve o direito de exploração do Dom Quixote há 20 anos e, por via do contrato com a Mota & Irmão, mantinha o direito de compra do edifício. Na declaração irrevogável passada por Lisboa Santos e assinada por Rui Ferreira e mais uma testemunha, Domingos Diogo, não se estabelece o pagamento de juros referentes à amortização da dívida, que deveria ter sido paga em quatro anos.
Um economista contactado por Maka Angola, sob a condição de anonimato, mostrou-se escandalizado com a cobrança da taxa de juros de mora a 75 porcento anuais. “O que perdeu o Rui Ferreira pelo facto de não ter recebido o dinheiro a tempo? O ganho que obteria se colocasse o dinheiro a render? Se tivesse investido, qual seria a taxa média de rentabilização do investimento? A 75 porcento seria das maiores taxas do mundo e corresponderia a uma brutal exploração mão de obra envolvida, ao certo”, asseverou o economista.
“O juíz sabe disso. É vergonhoso”, desabafou.
Como ilustração, os empresários têm estado a reclamar sobre as taxas de juros praticadas pelos bancos, que variam entre 10 a 24 porcento, como incomportáveis. Em 2010, o presidente da Associação Industrial Angolana (AIA), José Severino, disse ao Semanário Económico que “os bancos mantêm essas taxas com grande conforto, o que resulta em lucros elevados para eles, mas [em] obstáculos para a economia”.
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Mesmo assim, o povo angolano prefere-os incluindo os ditos intelectuais………..
Este senhor advogado está a defender casos que por lei ele está a violar os procedimentos processuais..Me refiro a casos de pessoas em que ele está a querer aplicar trampa em favor de alguem bem conhecido na sociedade.Podem verificar a ficha do cliente no tribunal provincial e poderao saber de quem se trata.
A própria sociedade está admirada com este caso, porque em termos de advocacia este caso constitui uma aberração e até certo ponto de promiscuidade. No futuro saberão de mais coisas.
Ai está. Que exemplo dará a outros juizes? Ainda por cima é o titular do TC, só mesmo em Angola.
É por esta e outras razões que podemos considerar que os tribunais em angola são uma farsa, só julgam casos dos indesejáveis ao regime.
Assim está a nossa justiça.
E acham mesmo que ele vai julgar as reclamações dos partidos politicos com imparcialidade? Duvido.
E acham mesmo que ele vai julgar as reclamações dos partidos politicos com imparcialidade? Duvido.
Que vergonha. A sociedade angolana encontra-se tao viciada, degradada e caótica que, ameaça seriamente o futuro das próximas gerações
As leis em Angola são violadas de uma forma tão brutal, digo brutal porque são os próprios defensores, ou os que deveriam defender a lei, que as mais violam.
A partir do Presidente da República até ao último polícia. A lei da probidade é um exemplo mas evidente. Esta lei é pisada com os pés, pelos dirigentes angolanos, como se não existisse.
Realmente o senhor Daniel tem razão. Basta chegar aqui no tribunal de família e saberão muita verdade. Este caso envolve um antigo administrador de um empresa estatal de transporte. Deixo tudo em aberto para mas averiguações .quem quero saber mas poderá ir ver as secções , pela parte dos advogados em este senhor também representa o tal ex ADM.