Diplomatas Servem MPLA nas Eleições
Por Carlos Duarte:
Dezenas de adidos e conselheiros de imprensa de todas as missões diplomáticas de Angola estão em Luanda, há sensivelmente um mês, para reforçarem as redacções dos órgãos de comunicação social públicos durante o período eleitoral.
Esta é a segunda vez que o governo usa os jornalistas colocados nas embaixadas para o reforço da cobertura eleitoral. O então ministro da comunicação social, Manuel Rabelais, introduziu a prática durante a campanha eleitoral de 2008 e tomou a mesma iniciativa para as eleições de 31 de Agosto deste ano. Actualmente, Manuel Rabelais exerce o cargo de director do Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing de Administração (GRECIMA), uma estrutura afecta à Presidência da República, que usurpou grande parte das competências do Ministério da Comunicação Social. Através do GRECIMA, Manuel Rabelais efectivamente dirige a Rádio Nacional de Angola (RNA) e a Televisão Pública de Angola (TPA), os principais órgãos de comunicação de Estado e veículos essenciais de propaganda do regime.
Seguindo o mesmo esquema da eleição anterior, os diplomatas-jornalistas foram distribuídos pelos seus órgãos de origem, nomeadamente a Angop, Jornal de Angola, TPA e RNA.
Regra geral, os jornalistas enviados para as missões diplomáticas são preparados pelos Serviços de Inteligência Externa (SIE), para o qual reportam em primeira instância. Devido a essa relação e aos benefícios materiais derivados da sua estadia no exterior, os jornalistas-diplomatas são requisitados por terem maiores razões de lealdade para com o regime e experiência internacional na sua defesa. Estes também têm o papel de exercer maior fiscalização política sobre os seus colegas locais.
Os jornalistas residentes, ao serviço dos órgãos de comunicação social do Estado, têm manifestado, em surdina, o seu descontentamento pela falta de condições de trabalho, salários condignos, corrupção e má-gestão por parte das suas direcções, e a falta de liberdade para realizarem o seu trabalho. A situação atingiu o ponto crítico com a anunciada greve na RNA, para 24 de Agosto. Esta situação tem sido avaliada como sendo susceptível de prejudicar a imagem do MPLA e do seu presidente, José Eduardo dos Santos, por via da fraca cooperação dos jornalistas na manipulação de informação a favor do regime.
As despesas de deslocação, instalação e alimentação dos adidos e conselheiros de imprensa não estão cabimentadas em nenhum orçamento oficial. Essa constatação resulta da apreciação de documentos oficiais relevantes sobre dotação orçamental e recolha de depoimentos junto de alguns intervenientes.
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O cenário está a compor-se para que nada possa retirar a vitória ao MPLA: a violação a lei eleitoral por parte do CNE, o condicionamento da liberdade de expressão e por fim a própria fraude no dia das eleições. Tudo isso vão significar mais 4 anos de miséria para o comum cidadão. Eu não vejo solução para Angola que não seja por via de uma explosão social, onde milhões de pessoas sairiam para as ruas para reenvindicarem os seus direitos.