Por Alfredo Muvuma:

A simplicidade e a afabilidade, marcas registadas de Dino Matross, podem esconder um homem venal, capaz de tudo por dinheiro.

A edição deste fim de semana do semanário Novo Jornal revela que alguns militantes do MPLA terão sido guindados ao seu comité central não por mérito, decorrente de serviços prestados  à causa, mas por terem pago uma propina ao secretário-geral do partido, Dino Matross.

Novo Jornal atribui a um membro do Bureau Politico do MPLA, que não identifica, a confirmação de que militantes terão desembolsado dinheiro para ascenderem ao comité central. Segundo a fonte do jornal, o pagamento da “propina” para acesso ao comité central significa que “foram violados princípios do partido através de práticas que atentam contra a sua integridade moral”.

No imediato, a  venalidade, aparentemente já verificada, deverá custar a Dino Matross o cargo de secretário-geral do MPLA.

Segundo o Novo Jornal, a “defenestração” de Dino Matross, praticamente já consumada, não deverá aguardar pelo próximo congresso do MPLA para a sua formalização. O MPLA guiar-se-á  pelo mesmo paradigma com que conduziu a saída de Pitra Neto do cargo de vice-presidente.

“Assim como aconteceu com a saída, a seu pedido, do antigo vice-presidente do MPLA, Pitra Neto, agora também não haverá necessidade de esperar pela realização do congresso”, diz o jornal citando um membro do comité central, que protege igualmente com anonimato.

Nos últimos tempos, o Novo Jornal tem-se distinguido com sucessivas e certeiras revelações sobre os mais diferentes aspectos da vida politico-partidária do país. Tem fontes fidedignas no topo do aparelho do MPLA e do Estado.

De acordo com o semanário, o iminente afastamento de Dino Matross da direcção do MPLA fica, também, a dever-se a diligências que ele teria feito junto de diferentes titulares do Ministério das Finanças, a favor de empresários para o ressarcimento de dívidas públicas contraídas pelo Estado.

Ao que se diz, Dino Matross teria enviado bilhetinhos, escritos pelo seu próprio punho, intercedendo a favor de empresários que, em muitos casos, “inflacionavam” a dívida por si reclamada ao Estado. Noutros casos, os empresários nas boas graças de Dino Matross exigiam pagamentos por serviços nunca prestados.

O secretário-geral do MPLA prestava-se ao papel de intermediário a troco de generosas comissões sobre os valores obtidos pelos empresários.

As revelações do Novo Jornal surgem na pior altura para o MPLA. Empenhado numa campanha eleitoral em que procura “vender” ao país o discurso da  moralização da vida pública, o MPLA vê um dos seus esteios envolvido em actos de alta corrupção.

No entanto, a corrupção é uma das traves mestras dos actos de governação dos dirigentes do MPLA. Como há muitos anos Dino Matross não ocupa um cargo governamental, o secretário-geral do MPLA usa o cargo partidário para seu enriquecimento ilícito.

Como previsto, o único castigo de Dino Matross será certamente o de confiná-lo à bancada parlamentar do MPLA, como deputado.

 

4 Responses to Os Negócios Intermediários de Dino Matross

  1. AngolaStudyGroup says:

    Entretanto, os Povos de Angola Perguntam:

    Como pode o MPLA moralizar a vida pública de Angola – Se a dita Lei de Probidade Publica foi promulgada e não se aplica?

    Como pode o MPLA moralizar a vida pública de Angola – Se a tão propalada tolerância Zero contra corrupção, converteu-se em Cavalo Branco da Real Família Burguesa de Angola (simplesmente AngoBurguesia) que usa e abusa a rés publica – as riquezas de Angola?

    Como pode o MPLA moralizar a vida pública de Angola – Se pelos ‘bons préstimos do executivo Angolano’ (no dizer de Pedro Passos Coelho) o BPN de Portugal foi resgate da AngoBurguesia;
    Se quando a esmagadora maioria de Angolanas e Angolanos – vivem, sobrevivem e morrem – sem nunca merecerem dos bons préstimos da AngoBurguesia?

    Como pode o MPLA moralizar a vida pública de Angola – Se a Cidade Alta, prova ser o ‘Epicentro’ ou o Palácio da Real AngoBurguesia?

    Como pode o MPLA moralizar a vida pública de Angola – Se a Assembleia Nacional de Angola, nao é nada mais, do que uma propriedade informal da Real AngoBurguesia ligada a Cidade Alta?

  2. Realista says:

    Podem juntar a essa lista, mais alguns capazes de tudo por dinheiro: – "Nandó" e os diversos cúmplices e testas-de-ferro, incluindo familiares; muitos mais havia a juntar! O que há a fazer com todos esses suspeitos de enriquecimento ilícito é congelar-lhes as contas e o muito património e levá-los a Tribunal! Essa investigação já devia ter sido iniciada!

  3. Rafael says:

    Este Sr. Dino MAtrosse, sempre gostou de agir na sombra, com bilhetinhos escritos pelo próprio punho, sem que para tal os assine. Diz que combateu mais do que os outros e por isso tem mais direitos que os outros. Haverás de pagar pelos males que praticas sr.

  4. domingos luaty says:

    tudo mal