O plano de acção do MPLA para a campanha eleitoral, que se inicia a 31 de Julho, contém algumas estratégias que devem ser amplamente divulgadas no interesse da estabilidade política, da paz e da distinção entre partido e estado.
Para a primeira fase da campanha (de 29 de Julho a 15 de Agosto), o MPLA estabelece, como um dos seis objectivos gerais, a definição das “áreas críticas para garantia da ordem e tranquilidade no seio dos eleitores”.
Para o efeito, o MPLA preconiza, entre 19 acções permanentes:
- “Orientar os militantes, os simpatizantes e os amigos do MPLA e demais eleitores a não participarem em quaisquer actos que indiciem ilicitude eleitoral, abstendo-se de praticar violência de qualquer tipo contra outros partidos políticos ou seus militantes;
- Denunciar os partidos políticos, as organizações da sociedade civil e cidadãos que incitem os eleitores à violência, ao distúrbio ou à fraude eleitoral.”
A comissão para as comunicações e segurança do estado-maior eleitoral do MPLA, responsável pela implementação das referidas acções, é coordenada por Francisco Magalhães Paiva “Nvunda”, secretário do Bureau Político do MPLA para os Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, tendo como coadjutor o chefe-adjunto dos Serviços de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), Eduardo Fernando Bárber Octávio.
No entanto, o plano de acção para a campanha eleitoral do MPLA apresenta, à partida, duas contradições práticas.
Militantes do MPLA têm emboscado violentamente, e com regularidade, partidários da UNITA que procuram desenvolver as suas actividades políticas em várias localidades das províncias de Benguela e Huambo. Dos confrontos, têm resultado feridos e mortos, não confirmados quer pelo MPLA quer pelas autoridades locais. O MPLA não tem feito quaisquer pronunciamentos públicos e inequívocos que desencorajem actos de violência por parte dos seus militantes e resultem em processos disciplinares e criminais contra os que atentam contra a ordem pública.
Em Benguela, onde a situação se apresenta mais crítica, as autoridades têm respondido com o desdobramento, no mês de Julho, de quatro companhias militares, em áreas consideradas sensíveis do ponto de vista da concorrência política entre o MPLA e a UNITA.
Por exemplo, a 5 de Julho, uma companhia de 90 efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA) transformou a escola primária da comuna de Chingongo, município do Balombo, em acampamento militar. Como alternativa, as autoridades locais sujeitaram as crianças a ter aulas debaixo de uma árvore. Os militares passaram a realizar acções de patrulha constantes, no período de dia e no período nocturno, em áreas de grande influência da UNITA, como a povoação de Kangumbe.
A 18 de Julho, a companhia estacionada nos arredores da Fazenda Utalala, na comuna da Capupa, município do Cubal, foi reforçada com mais homens e material bélico, incluindo canhões. Nessas áreas, bem como nos municípios do Bocoio e da Ganda, os militares usam armas pesadas nas patrulhas, incluindo metralhadoras PKM, e têm criado um clima de grande insegurança e intimidação entre os partidários da UNITA. A 25 e 26 de Julho, o chefe do Estado-Maior General das FAA, general Geraldo Nunda, visitou a província para constatar o desdobramento militar durante o período eleitoral.
Havendo necessidade de se usar, no período eleitoral, armas pesadas em patrulhas junto das comunidades, é dever, quer do governo quer do exército, de explicar à opinião pública nacional as razões de medidas que se assemelham a actos de preparação combativa. O MPLA, como partido no poder, detém o monopólio exclusivo da violência.
O MPLA define, na sua estratégia eleitoral, as províncias de Benguela, Bié, Huambo, Kwanza-Sul, Luanda e Uíge como as províncias “com maior universo eleitoral”, que devem merecer a sua especial atenção.
A UNITA, por outro lado, tem como áreas de maior implantação eleitoral, as províncias de Benguela, Bié e Huambo e tem capitalizado com o descontentamento social em Luanda. Desde a morte do seu líder Jonas Savimbi, há 10 anos, a UNITA tem sido drenada, ao nível da sua estrutura política, por deserções massivas e regulares para o MPLA. Acrescidas às infiltrações no seio da UNITA, que são bem conhecidas, bem se pode dizer que o MPLA tem o controlo efectivo sobre a liderança da UNITA.
Por sua vez, a presença ostensiva do comissário Eduardo Octávio, chefe-adjunto dos Serviços de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE), na comissão de coordenação da campanha eleitoral do MPLA, constitui violação da Lei dos Partidos Políticos, que proíbe os membros das FAA e da Polícia Nacional no activo de filiação nos partidos políticos. Eduardo Octávio é um efectivo da Polícia Nacional, de que ostenta a patente de comissário. O acto constitui também uma violação à Constituição, que estabelece a Polícia Nacional como um órgão apartidário e, para o efeito, obriga os seus agentes no activo a serem apartidários.
As contradições apresentadas pelo MPLA suscitam uma pergunta importante: Devem os eleitores acreditar na mensagem do MPLA ou nos seus actos?
Como nota um grande analista da política de segurança nacional, sob anonimato, “ninguém investe na tranquilidade, porque somos gerações da adversidade. Só o confronto nos anima”. Este analista lamenta ainda a forma como os conflitos animam vários sectores da sociedade, sobretudo a elite, que mantém os seus privilégios usando, fundamentalmente, a via da violência.
Desta vez, o MPLA tem receios fundados sobre as consequências do descontentamento social, um pouco por todo o país, e a influência da primavera árabe na consciência de muitos angolanos. E porque o voto e as promessas eleitorais pouco ou nada alterarão o quadro político e sócio-económico, a pergunta fundamental é: entre o diálogo e a violência, qual é a verdadeira opção do MPLA, quer para a manutenção do poder quer para a manifestação genuína da vontade popular sobre o rumo do país?
10 Responses to O Plano Eleitoral do MPLA
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Espero que nenhum Cabinda se meta nesses assunto dos Angolanos
Que estupidez é esta de cabinda e problema dos angolanos, gente como voces são má influencia para a paz a tranquilidade.
Não aprendem porque? parece selvagens pá.
eu tambem nao estou a favor como as coisas estão a correr mais temos que ter mais seriedade quando estamos a fazer determinados comentarios.
Como diz o brasileiro:
se toca cara.
‘All Men and Women dress in Red. And His Excellency is dressed in White’ – Marques, this picture is worth a trillion kwanza, isn’t it?
Red symbolizes fire and violence. White expresses purity and innocence. How this relates to politics in Angola? This is for sure a trillion Kwanza question! The men and women in Red can simply be called the Followers of His Excellency. They are invested with such especial power on behalf of His Excellency.
So, they have got the power:
To kill (if necessary) – in the name of His Excellency;
To steal – in the name of His Excellency;
To beat and bite – in the name of His Excellency;
To sing and whistle – in the name of His Excellency;
To clap and dance – in the name of His Excellency;
To close down entire schools, churches and universities – in the name of His Excellency;
To partidarise the state, resources, justice and media – in the name of His Excellency
To personalize democracy and the rule of law – in the name of His Excellency!
To control and possess the citizens and the parties – in the name of His Excellency!
To rig the vote – in the name His Excellency!
To distort the electoral system – in the name of His Excellency!
To buy with oil and diamonds the much needed international allies and support – in the name of His Excellency!
Then, what is the role of His Excellency? Remember, His Excellency is dressed in White! He is – as if a Pope among his Cardinals dressed in Red. His Excellency is pure and immaculate, so he doesn’t even bother to lift up his hands and mingle with the crowd.
For almost his 33 years in power, His Excellency has developed an allergy for doing the dirty stuff for the fear of contamination. Then, this explains why the men and women in Red do all the dirty stuff – in the name of His Excellency! Yes, indeed! Now, you really got it!
Se alguém queira se opor mas, os demais partido fizeram uma copia ou cabula do nosso programa.
Todos temos ciência, sobretudo, aqueles que conhecem a história recente do País, de que para a elite política, vale mais a pena embestar-se para a via da beligerância e do conflito, começando com as visíveis picuinhas, para assim estabelecer a manutenção do status quo, ou seja, da eternização no poder. Ainda mais quando vê-se o agravado descontentamento social em direção à caótica governação que "estamos com ele". É portanto necessário observar que, há muito, o discurso do MPLA nega-se pela eficácia e ineficácia de suas ações. Tudo esse lero-lero e palavrório do Plano de Ações do Programa Eleitoral, nada mais são do que meras intenções, apenas isso. Foram eles que nos acostumaram a crer assim, e assim sabemos que é.
Sinceramente, o MPLA não sabe e nunca irá aprender a viver na diversidade. Também é caso para dizer que, afinal, sabem mesmo que o fim do MPLA acabou completamente. Mas, não submeta-nos a mais uma guerra. Afinal, quem carrega armas pesadas é o MPLA. Portanto, deixem-nos à vontade.
É claro que o MPLA sempre vai optar pela violência e desorganização da sociedade, porque estes são os valores que assentam a sua governação
É necessario que tenhamos uma consciência limpa, entre a violencia e o diálogo claro que o MPLA opta pela violencia, eles ja nao tem nada a perder porque a maioria estao em queixa em alguns paises porcausa da corrupção desenfriada, irão fazer tudo para a manutenção de poder, nem que toverem que matar todos os Angolanos, assim é o MPLA é um partido de corruptos aldrabões gatunos, assassinos, esses farao de tudo para manutenção do poder, mais sempre eu soube que ninguém luta com um povo.
O PR JES, quando sai à rua demonstra o espírito belicista que o caracteriza, pela quantidade de homens armados que o cercam, porque ele não consegue conviver sem armas, pois para os que têm pactos diabólicos, o derramamento de sangue lhes fortalece para se perpetuarem nos cargos. Olhe bem para a cara dele e verão que ele sofre, pois nem quantidade de dinheiro que tem lhe permite ter uma boa aparência. O preço a pagar por causa dos pactos diabólicos são altos e são pagos com sangue. Um verdadeiro africano sabe disso.
Angolano, voce tocou na tecla certa! Todavia, o que parece mais sagrado nos lideres africanos — poder pela violencia e 'pactos diabolicos' — cedo ou tarde torna-se trivial. A trivialidade do poder despotico acontece quando o povo deixa de adorar esses lideres diabolicos, derrubando-os. O coronel Gaddafi, que tinha centenas de virgens como guarda-costas, foi trivializado; o Saddan foi trivializado; o Ben Ali da Tunisia foi trivializado; Hosni Mubarak foi trivializado; Wade do senegal, foi trivializado. Enfim, Jose Eduardo Dos Santos tambem ha-de chegar a sua vez de ser trivializado!