Jornalistas do Folha 8 Interrogados
A Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC) deve ouvir, hoje, Junho 12, cinco profissionais do semanário Folha 8, no âmbito das investigações que leva a cabo sobre a publicação de uma fotomontagem, na sua edição 1075, de 30 de Dezembro de 2011.
Na fotomontagem, os rostos do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, do vice-presidente, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, e do ministro de Estado e chefe da Casa Militar da Presidência, general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa” apareciam, cada um, colados aos corpos de três indivíduos com placas no peito que os identificava como criminosos.
Respondem esta terça-feira, os jornalistas António Setas e Antunes Zongo, os fotógrafos Teófilo de Oliveira e Garcia Mayomona, bem como o paginador Sedrick de Carvalho. No dia anterior, prestaram declarações, no Departamento de Crimes Selectivos da DNIC, o editor-chefe Fernando Baxe, o jornalista António Neto e o paginador Francisco da Silva.
Segundo informações prestadas por Fernando Baxe, o proprietário e director do semanário, William Tonet, já foi constituído arguido no processo com o número 19/012-06-Dnic. Na sua qualidade de jornalista, William Tonet foi condenado a 10 de Outubro de 2011, a um ano de prisão, com pena suspensa, e ao pagamento de uma multa de 10 milhões de Kwanzas (US $105 mil) pelo crime de difamação, por artigos publicados sobre os seguintes generais: Manuel Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa”; António José Maria, chefe dos Serviços de Inteligência Militar; Hélder Fernando Pitta Gróz, Procurador-Geral das Forças Armadas Angolanas (FAA); e Francisco Pereira Furtado, ex-chefe do Estado-Maior General das FAA. O jornalista recorreu da sentença. Uma campanha popular e espontânea angariou, na altura, os fundos para o pagamento da multa do jornalista, aguardando-se pela decisão do Tribunal Supremo sobre o recurso interposto pelo jornalista.
Meses antes dos efectivos da redacção terem sido notificado, a DNIC realizou uma operação na redacção do Folha 8, a 12 de Março, tendo confiscado todos os meios informáticos do jornal que, até à presente data, se encontram em sua posse. Na altura, o Sindicato dos Jornalistas Angolanos condenou as buscas e revelou atropelos à Lei de Imprensa, por parte das entidades competentes.
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