A UNITA planeia manifestações a nível nacional para o próximo sábado, 19 de Maio, “em prol da paz, democracia e da realização de eleições livres, justas, transparentes e credíveis.” O Presidente da República deve convocar as eleições gerais de 2012 nas próximas semanas e a UNITA, assim como outros partidos da oposição, têm contestado a nomeação de Suzana Inglês para o cargo de presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE).
Num novo requerimento entregue ao Tribunal Supremo, a UNITA solicitou, uma vez mais, a impugnação de Suzana Inglês como condição fundamental para a realização das eleições. Em declarações à Voz da América (VOA), Raúl Danda, presidente do grupo parlamentar da UNITA, afirmou que os angolanos querem “democracia e que Angola seja um Estado de direito. Estamos cansados de pessoas que se querem eternizar no poder e recorrem à fraude.” Os partidos da oposição argumentam que o perfil de Suzana Inglês não cumpre os requisitos legais do cargo, além da sua imparcialidade estar comprometida por ser membro do partido do poder.
De acordo com Vitorino Nhany, secretário geral da UNITA, as manifestações são também uma forma de protesto contra a falta de água e de luz, a má qualidade da educação, o desemprego, a corrupção e as violações da lei por parte dos dirigentes governamentais.
A direção da UNITA, em carta ao governador provincial de Luanda, Bento Francisco Bento, comunicou a intenção de realizar a manifestação no Largo da Independência (antigo Largo 1 de Maio), no centro da capital angolana. Foi igualmente enviada uma nota ao Comando Provincial da Policia de Luanda, manifestando a disponibilidade da UNITA para cooperar com as autoridades no dia 19, de modo a evitar qualquer situação de violência.
Manifestações anteriores têm sido violentamente reprimidas pelas autoridades e por grupos de milícias ao seu serviço. Desde o início do ano foram banidas ou reprimidas pelo menos seis manifestações anti-governamentais e dezenas de manifestantes foram brevemente detidos. A 9 de Março passado, as milícias pró-governamentais invadiram a residência do rapper Carbono Casimiro e atacaram-no violentamente, assim como a outros quatro organizadores, com barras de ferro, enquanto estes planificavam uma manifestação anti-Dos Santos, para o dia seguinte. Na data aprazada, as milícias, apoiadas por fortes disparos, agrediram violentamente, com barras de ferro e outros objectos contundentes, cerca de 30 manifestantes que se haviam concentrado no tanque do Cazenga, em Luanda. Os atacantes infligiam, preferencialmente, golpes nas cabeças das suas vítimas para causar maiores danos físicos, tendo atacado também o político Filomeno Vieira Lopes, dirigente do partido da oposição Bloco Democrático. Este teve de sofrer intervenções cirúrgicas na Alemanha.
Grupos de direitos humanos têm denunciado a vaga de repressão violenta das autoridades sobre manifestações anti-governamentais pacíficas. Segundo Leslie Lefkow, diretora-adjunta de África da Human Rights Watch, “o governo de Angola deve respeitar os direitos fundamentais dos indivíduos à reunião pacífica e à liberdade de expressão, em vez de punir os críticos e a oposição política. As ações repressivas do governo não auguram umas eleições legislativas pacíficas”.
As mobilizações de massas para a pré-campanha eleitoral já estão envoltas num clima de tensão. A 6 de Maio passado, militantes da UNITA que regressavam de um comício bastante concorrido no município do Bocoio, em Benguela, testemunharam um partidário seu, Venâncio Comboio, a ser mortalmente atropelado na via pública. Em retaliação imediata, os militantes agrediram o motorista da UNITEL que o atropelou, entretanto socorrido por agentes da Polícia Nacional que efectuaram vários disparos para garantir a sua evacuação do local. Os manifestantes queimaram a viatura da referida empresa de telefonia móvel e atacaram ainda um grupo de sacerdotes que circulava pela via, bem como alguns transeuntes.
As acusações mútuas após o incidente e a propaganda resultante em certos órgãos de informação, prenunciam o retorno aos discursos beligerantes e de justificação de actos de violência premeditados. No entanto, a direcção da UNITA condenou a violência protagonizada pelos seus militantes. Em comunicado, a UNITA informou que os seus quadros e dirigentes estão apostados em transformar a manifestação de sábado “numa festa da paz, da liberdade e da democracia”.
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